domingo, 25 de abril de 2010

A mulher do Cristo, a mulher do fim da rua e a mulher do segundo andar.

Três mulheres que se parecem fisica e psicológicamente.

A mulher do Cristo, que tem os cabelos desgrenhados, amarelo palha, sai da sua casa todos os dias as cinco da tarde e faz sua caminhada até o Cristo Redentor falando o caminho inteiro com seu anjo do lado direito e seu demônio do lado esquerdo. Chegando lá, olha por alguns minutos a sua imagem e vai embora. Me ocorre que ela cumpre alguma promessa, ou não.

A mulher do fim da rua tem um carrinho de pipoca vazio estacionado na garagem de sua casa e um cachorro preto de guarda. Eu a vejo sempre passando na frente da minha casa falando, gritando com alguém que 'só os inteligentes conseguem ver'.
Um dia desses ela gritou:
-Você está louco!
De repente ela parou e me perguntou:
-Você tem esqueiro?
-Não senhora, eu não fumo.
Ela virou pro lado, continuou sua discussão até chegar no fim da rua, abrir o seu portão e entrar na sua casa.

A mulher do segundo andar... A mulher do segundo andar, anda e fuma, anda e fuma. Se ela parar de andar, não fuma. Se parar de fumar, morre. Morre ao se entregar à abstinência. Desde pequena eu a vejo fazendo a mesma coisa. Andar e fumar, andar e fumar.
-Você tem esqueiro?
-Não senhora, eu não fumo.
Ao contrário da outra, ela me pergunta só para constar, porque ela tem o seu esqueiro.

Por último e não menos importante, a mulher do padre, estava quase me esquecendo dela que sempre é a última a chegar no seu serviço.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Pensei


Uma vez um amigo disse: "uma prova de amor não é o que uma pessoa faz por você e sim o que ela deixa de fazer"

Pensei...

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Um dia inteiro assim...

Mais uma vez eu abri os olhos, dessa vez eles ardiam. Era uma mistura vermelha esverdeada, com um borrão preto e já não estava tudo funcionando como deveria.
O claro ficou escuro e o escuro, cada vez mais brilhante. Ela dizia "isso não é coisa de gente sã"
Talvez eu não estivesse tão sã assim...

terça-feira, 20 de abril de 2010




É uma noite como quase todas as outras, o diferencial é a sensação de que ela vai ser longa.


Hoje não chove, está do jeito que nós preferimos. Os devaneios voam longe. Eu não me importo com a insônia. Penso em sua respiração baixa, no seu cheiro quente, nos seus traços perfeitos. Vou além; me permito pensar no terreno interno que se opõe a tudo que for palpável: a sensação de sentir pulsar felicidade, de degustar afeto, de me embriagar de tudo o que há de mais perfeito.


Estar com você é isso, é explorar as sensações mais indescritíveis e não se importar com o sentido literal. Estar com você é se sentir regido excepcionalmente por sensações de prazer puro, primário, sem repressão.


Eu não quero fugir do teu olhar, do teu sorriso, do teu abraço - o mais aconchegante.


Eu não vou fugir. Isso faz bem. Você faz bem.


Meu vício, minha abstinência, minha cura...


Meu Amor!

domingo, 13 de dezembro de 2009


Uma vez ouvi dizer que em dias ruins, sempre há chuva como companheira. Poderia até ser, mas, observando as circunstâncias...

A noite estava explêndida. Aquele som era a música do vento soprando nos corredores e dos pingos caindo na minha janela. Meu coração acompanhava o vendaval e os sininhos sempre voltavam pra me acalmar.

Abri o portão e fiquei ali na frente ouvindo o barulho da chuva e sentindo o cheiro maravilhoso que ela exalava.

Saí. Os pingos gelados escorriam em meu rosto e molhavam a minha roupa, mas eu não estava me importando com nada. De meus lábios escapou um sorriso breve, mas se eu não estava me importando por que vou conter a minha felicidade? O sorriso se alargou e eu não precisava me ocupar com nada além do meu momento. Era meu...

Aquele som já soava como aplauso. A chuva me aplaudia e eu aplaudia a chuva.

Meu rosto, meu cabelo e minhas roupas pingavam e eu não deixei de sorrir porque aquilo era maravilhoso.

E depois há quem diga que em dias ruins sempre há chuva como companheira.

Eu não acho...

Não mais...

domingo, 22 de novembro de 2009

12/07/07


Aquela voz, meio serena, interrompida pela respiração forte, meio forte, com uma leve rouquidão.

Aquele momento em que tudo se fez silêncio, pois já não havia mais o que falar.

Aquele dia, aquele frio. Eu já não sabia mais se estava fazendo a coisa certa

E só porque as lembranças se tornaram vagas de mais, eu não posso voltar no tempo. Só porque elas congelaram, eu já não posso voltar no tempo.

Porque hoje as lembranças trazem o vazio.

E seu nome eu já não posso pronunciar.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

O Pensamento é mais claro e a memória mais precisa quando as pessoas estão em seu pico cardíaco.


Depois de um dia diminuto de silêncio eu fui para o meu quarto esperar o sono vir e para decidirmos sobre o que iríamos sonhar.

Eu cheguei onde eu queria, estava tudo tão confortável que minha tensão e temperatura corporal diminuíram e isso fez com que eu me enterrasse nas almofadas já que lá não haviam cobertores. Não havia nada, mais eu pude ouvir uma música vindo de algum lugar. Alguém chegava e se aconchegava ao meu lado. Dizem que nesse estágio as pessoas podem ter alucinações.

Tirei do bolso um saco de castanhas de caju. Eu amassava o saco enquanto as castanhas caíam no chão limpinho, branco como neve. Senti o cheiro das castanhas ao caírem e ouvia o barulho delas ao serem mordidas, mas, um cheiro a mais havia naquele lugar, era um aroma convidativo, um aroma único. A luz oscilava e faziam minhas pupilas dilatarem e contraírem. Concluí que nesse estágio, os meus estímulos sensoriais foram um tanto entrometidos.

Tudo se acalmou e se aquietou por fim. A luz estava baixa, eu estava aconchegada em algo mais, as almofadas não eram quentes, comíamos castanhas e não conversávamos sobre literatura, filosofia, música ou política; a gente falava sobre como um dia frio pode ser interessante com uma sopa, ou como a água pode ser gostosa em um dia de calor. Nesse estágio uma companhia é sempre bom! Sempre importa!

As roupas estavam amassadas e confortáveis e eu já não sentia, mas de alguma forma eu sabia que minha respiração ficava mais rápida e irregular, meu coração acelerava minuto sim, minuto não e meus olhos que já estavam fechados se desligaram.

E eu pude sonhar.........